quinta-feira, 7 de outubro de 2010

VÍDEO 13 - análise e esclarecimento

Aqui toda a gente viu bem a situação, mas nem sempre é assim...
Analisando:

PASSOS?De forma alguma. O jogador dá, no máximo, 2 passos. Parece-me até que só dá um (com o pé esquerdo), uma vez que o primeiro apoio me parece o momento zero.
DRIBLES?
Credo, não! Em nenhum momento ele agarra a bola e a volta a bater...
VIOLAÇÃO?
Nem antes, nem depois de saltar!
ANTES:

APÓS LARGAR A BOLA AINDA ESTÁ NO AR:


CONCLUSÃO: Apesar de ser um lance difícil, os árbitros estiveram muito bem ao validar o golo.

Contudo, o que eu queria mostrar com este vídeo, é que a nossa tarefa é muitas vezes acrescida em dificuldade pela rapidez dos lances, e só com repetições se podem descortinar certas infracções.



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

VÍDEO - Esclarecimento Arbitragem

Acho que é um belo exemplar de como as decisões dos árbitros são complicadas.
Passei este vídeo numa ação que dei recentemente e fiz as seguintes perguntas:
·         Quem acha que há passos?
·         Quem acha que há dribles?
·         Quem acha que há violação da área?
Estas são as perguntas que vos faço agora...
Veja o vídeo:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dicas Técnicas para Treinadores

Sistema defensivo 6:0
Estrutura e funcionamento
O exemplo que a seguir é apresentado é um conceito de um sistema defensivo 6:0, que e conhecido por todos, possuindo pontos fortes e debilidades como todos os sistemas. Existem diferentes formas de entender a relação entre os defensores que compõem um determinado dispositivo defensivo, pelo que, não devemos ignorar nunca que a eficácia de um determinado sistema defensivo deve considerar as capacidades individuais dos seus constituintes, no sentido de se encontrarem soluções ajustadas.
A definição de regras de funcionamento entre os defensores de um determinado sistema, deve atender a variáveis determinantes que condicionam a atribuição de competências dentro do dispositivo, tais como: o espaço, o tempo, a relação com os companheiros e oponentes e a posição da bola.
Extremo com posse de bola:
Competências do defensor exterior (par):

·         Permanecer próximo da linha de 6 metros, dado o espaço a defender
·         Marcar o extremo
·         Não ser superado para o interior
·         Condicionar o remate diminuindo o ângulo de finalização
·         Não provocar livre de sete metros, quando o remate ocorre no exterior
·         Impedir passes retilíneos para dentro da área, especialmente ao pivot se está próximo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - Outros Casos

Penso que estará quase tudo dito acerca das novas instruções, pelo menos no seu essencial.
Há sempre muitas outras subtilezas nas regras que nos levariam a muitos outros posts, mas talvez o melhor seja ir falando dessas coisas à medida que elas surgirem, seja nos meus ou nos vossos jogos. Ficarei satisfeito se me forem colocando essas questões.
Como "post final" acerca das novas regras (que na verdade não são), relembro só alguns outros aspectos que foram falados nas reciclagens, a que nós, árbitros, deveremos prestar muita atenção.

Já antes disse que nem só os contactos que efetivamente ocorrem são puníveis com sanções disciplinares. Há outras situações que o podem ser. Dou um exemplo que  aconteceu em um destes dias, no meu jogo.
Num contra-ataque, um miúdo da equipa que estava a sofrer esse contra-ataque foi por trás do atacante e, no momento do remate, tentou assustá-lo com um "BU!", junto aos ouvidos, para o desconcentrar. Excluí-o, e ele ficou muito admirado, pois não tinha tocado em ninguém... Estiveram excelentes os oficiais da equipa, que o repreenderam imediatamente após a minha sanção e o fizeram vir falar comigo no fim do jogo, para que eu pudesse explicar que aquela atitude anti-desportiva era sancionável. A título de curiosidade, confesso que disse ao miúdo que "perdôo" mais depressa um jogador que faz um tipo de defesa mais dura, desde que esteja pura e simplesmente à procura da bola, do que alguém que tem este tipo de atitudes. Nestes casos, não há compreensão nem perdão. É anti-desportivismo.

Outra coisa que me incomoda particularmente são as simulações. Uma coisa é tentar sacar uma atacante ou uma sanção, quando se calhar até há um mínimo de motivos para tal. Entendo isso como normal, porque eu próprio o fazia quando jogava.
Outra coisa completamente diferente é tentar enganar os árbitros, atirando-lhes areia para os olhos. Deixo aqui um exemplo de um vídeo de um jogador que, na minha opinião, teria de ser sancionado com sanção progressiva. Por "sanção progressiva", entendo que o jogador deve ser excluído, mas um cartão amarelo pode ser bem aplicado, se for numa fase muito precoce do jogo.

(não consegui fazer o upload do vídeo)

Há, ainda
, outras situações, como as faltas atacantes sem bola, ou as violações de área por parte dos jogadores que não têm posse de bola, que estavam já regulamentadas, e que deverão continuar a ser alvo de particular cuidado.

Agradeço que não tenham problemas em colocar aqui as vossas questões, seja sobre as novas regras ou sobre as mais velhas... :)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - zona da mesa

Hoje falo um pouco da recém-criada zona exclusiva para os elementos da mesa.
Nela, não é permitida a permanência de qualquer elemento ligado às equipas, excepto os casos em que existe a necessidade de um contacto com a mesa para qualquer esclarecimento, ou para a solicitação de um time-out.
Na imagem a seguir, fica um esquema desta zona, que deverá ter as dimensões de 3,5m para cada lado, a partir da linha de meio campo.

Sempre que um treinador entrar nesta zona com o cartão verde na mão, deverá ser concedido um time-out a essa equipa, ainda que não seja essa a sua intenção inicial. Caso o treinador insista que não quer o time-out, então haverá lugar a sanção disciplinar, porque se considera que o treinador está numa zona que lhe é interdita.
Aqui surge a necessidade de haver um pouco de bom senso e compreensão da parte de quem dirige o jogo e de quem está na mesa. Não é por um treinador estar com um pé do outro lado da linha que se vai interromper o jogo, nem tão pouco se vai punir alguém que esporadicamente por lá passar de forma justificada.
Além disso, se nós pedimos compreensão para os erros de adaptação decorrentes destas alterações, também temos de ser compreensivos com a outra parte.
Fica a necessidade de fazer aqui uma distinção...
Já me foi dito por algumas pessoas (de clubes, entenda-se) que esta zona corresponde à zona de substituições. Erro! A zona de substituições tem 4,5m para cada lado, e não 3,5m. A marcação a introduzir não deverá coincidir com o prolongamento da linha de substituições!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - situação do Goleiro

A situação da saída dos Goleiros nos contra-ataques é a "nova" situação que origina mais comentários acerca da justiça ou falta dela.
Antes de ir por aí, tenho de explicar o motivo das áspas na palavra "nova". É que esta situação já tinha sido alvo de instruções específicas no ano passado. Este ano é que se tem falado mais, mas eu próprio já exibi alguns cartões vermelhos nestes casos.
Explicando a situação, cá vai um exemplo típico, com a seguinte sequência de acções:
O Gl (Goleiro) da equipa A defende um remate;
O ponta esquerda (PE) da equipa A sai em contra-ataque, virado para o seu próprio meio campo, com o intuito de perceber o desenrolar dos acontecimentos;
O Gl de A tenta colocar a bola no seu PE, através de contra-ataque direto;
O Gl de B sai ao lance;
O PE de A e o Gl de B colidem no seu movimento.
Decisão disciplinar:
Desqualificação para o Gl de B.
Decisão técnica:
Livre de 7m, considerando que se geraria uma clara oportunidade de Gol.
E na hora de discutir as variantes, podemos pensar no tal conceito de justiça... Mas a questão que se coloca é a de outro conceito, o de RESPONSABILIDADE.Quem tem a responsabilidade do contacto? O Gl.
Quem poderia ter evitado o contacto? O Gl.
Quem corre o maior risco de lesão? O ponta.
Quem se deve punir? O Gl...
Pessoalmente, acho que esta lei é demasiado restritiva e castradora dos movimentos dos Gl, mas tornou-se imperioso criar um critério, e este foi o escolhido. Resta aos Gl serem perspicazes na hora de optarem pela tentativa de interceptar um contra-ataque. Mas vamos às variantes.
1 - E se o Gl agarra a bola primeiro e só depois se dá o contacto com o ponta em corrida?
Cartão vermelho ao Gl e livre de 7m.
2 - E se o Gl se arrepende e tenta recuar, não conseguindo evitar o contacto com o ponta em corrida?
Cartão vermelho ao Gl e livre de 7m.
3 - E se nenhum dos 2 agarra a bola e só ocorre o contacto?
Cartão vermelho ao Gl. Livre de 7m se entender que o jogador em contra-ataque poderia criar uma oportunidade de gol se controlasse a bola.
4 - E se o ponta agarra a bola, passa pelo Gl, e é agarrado por este LATERALMENTE?
Livre de 7m e exclusão de 2 minutos ao Gl.
5 - E se o jogador em contra-ataque se apercebe da presença do Gl, se vira e vai contra o Gl TENTANDO SACAR A DESQUALIFICAÇÃO AO SEU ADVERSÁRIO?
Falta atacante e exclusão ao jogador que fazia o contra-ataque.
A variante 5 deixa claro que não se deve marcar SÓ falta atacante. Nos casos destes contactos mais duros, haverá sempre quem tem a responsabilidade de evitar o contacto, podendo, no caso do atacante, considerar-se que houve tentativa de ludibriar o árbitro através de simulação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - sanções (exemplos)

Acima de tudo, penso que as indicações ao nível da disciplina de 2010 servem para tentar proteger os jogadores dos contactos violentos dos seus adversários. Repare-se que digo violentos e não agressivos. Gosto de um jogo agressivo, viril. Não gosto de um jogo violento.
As situações que justificavam cartão amarelo continuam a justificar, as que justificavam exclusão também, idem áspas para o vermelho. Pede-se é mais rigor na sua aplicação. Não vou falar de situações para advertência, mas dou exemplos dos outros dois tipos de sanção.
Tento discernir 2 tipos de contacto, daqueles que estão acima do contacto que origina um cartão amarelo:
Contactos fortes, sem intenção de só controlar (EXCLUSÃO);
Impactos que não permitem qualquer defesa ou protecção por parte de quem os sofre (DESQUALIFICAÇÃO).

EXCLUSÃO
No ponto 1, estão aquelas situações que poderão ser punidas com sanção progressiva, mas também há outras situações que justificam uma exclusão directamente, sem passar pelo amarelo. Posso dar alguns exemplos:
- Jogador em velocidade sofre um contacto lateral que o desequilibra;
- Jogador COM OU SEM BOLA é agarrado de tal forma que não se consegue mexer;
- Jogador viola a sua área de baliza propositadamente para fazer falta a um jogador que está em remate.
Outros exemplos que não envolvem contacto físico:
- Protestos exagerados;
- Simulações;
- Cortes com o pé, quando a bola se dirige para um jogador isolado (ou que pode criar uma clara oportunidade de golo).

DESQUALIFICAÇÃO
Aqui estão aqueles casos sérios, de conduta anti-desportiva grave, sob qualquer forma. Com exemplos:
- Toque no pé do ponta, com este em salto;
- Empurrar jogadores em suspensão;
- Contactos violentos na cara;
- Empurrar com força pelas costas;
- Bola na cara do Goleiro, num livre de 7m, se este se mantém imóvel;
 - Situação de último minuto.
Claro que outras situações como insultos, protestos fora de todos os limites, ou várias outras formas de desrespeito poderão ser, como sempre, alvo de cartão vermelho.
Convém recordar que a expulsão, através da mal amada cruzeta, foi extinta. Por um lado compreendo, uma vez que muitas vezes nem o público sabia o que isso era. E quando era aplicada...
Passou a haver agora situações de desqualificação COM e SEM relatório escrito. Penso que dá para perceber, através de dois exemplos simples. Se um jogador é desqualificado por uma situação de jogo como uma rasteira, não é alvo de relatório. Se, por outro lado, o cartão vermelho surge por um insulto ou uma agressão, então haverá relatório.
Recordo, também, que o último minuto continua a ser alvo de vigilância mais atenta, e que as condutas anti-desportivas deverão continuar a ser sancionadas com dureza. A diferença é que o resultado deixa de ser um factor decisivo na atribuição das sanções por parte dos árbitros. Toma-se atenção à ATITUDE dos intervenientes. Quantas vezes não vemos ajustes de contas nesta fase dos jogos?
Opinião pessoal... Muito se tem dito que "agora é que vai ser só exclusões", ou como já ouvi "os árbitros é que se vão consolar". Não se deve pensar assim, quanto mais não seja porque não faz sentido. Não me dá prazer nenhum acabar um jogo e olhar para o boletim de jogo e ver um totobola só com triplas, ou ver uma folha de rascunho toda escrita. Sinceramente, detesto jogos com exagero de disciplina, embora saiba perfeitamente que às vezes tem de ser assim. Mas claro, se num jogo vejo um puxão de braço grave, uma rasteira ou um empurrão pelas costas a um jogador isolado em contra-ataque, sabe-me bem mandar o infractor embora do campo, porque quem faz isto NÃO TEM LUGAR DENTRO DE UM CAMPO DE HANDEBOL!